quinta-feira, 6 de abril de 2023
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domingo, 7 de agosto de 2022
Democracia Política e novo Reformismo: Fernando Carvalho* - O Golpe que Bolsonaro vai dar
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terça-feira, 15 de julho de 2014
OS AGIOTAS INTERNACIONAIS E A DÍVIDA ARGENTINA segundo Maria Lúcia Fattorelli
IHU On-Line - Quais são as principais contradições em torno da dívida da Argentina e da maneira como a questão está sendo conduzida, já que o país diz ter pago o valor negociado, mas a Justiça americana exige o pagamento integral da dívida?
Maria Lúcia Fattorelli - Existem diversas contradições nesse episódio. Creio que a mais relevante decorre do absurdo evidenciado pela condenação de um país por uma decisão proferida pelo poder judiciário de outro país, ignorando a soberania nacional que cada país possui. Essa contradição revela a ausência de tribunais internacionais independentes e transparentes, que seriam os fóruns legítimos para analisar esse tipo de conflito.
Outra grande contradição é o flagrante privilégio da tendenciosa decisão judicial que pendeu em favor de especuladores que se aproveitaram da crise enfrentada pelaArgentina a partir de 2001, adquiriram títulos da dívida pública daquele país a preços irrisórios, não se apresentaram para efetuar a renegociação realizada em 2005 e ingressaram na Justiça para reivindicar o pagamento do valor nominal integral daqueles títulos, acrescido dos juros incidentes sobre o valor nominal desde a sua emissão. Ou seja, reivindicaram a restituição de algo que nunca emprestaram, uma reivindicação infame e completamente ilegítima. A justiça norte-americana deu ganho de causa a esse grupo de especuladores, transformando carniça podre em filé mignon, referendando a jogada desses especuladores, não por acaso apelidados de “abutres”, e humilhando um país soberano.
Outra contradição está relacionada ao risco de essa decisão da Justiça norte-americana afetar os termos da renegociação feita pela Argentina em 2005, e impor ônus abusivo ao país. Esse risco decorre de cláusulas que regem os títulos de dívida externa argentina. Tais cláusulas estão presentes nas emissões de títulos de dívida externa de diversos países, inclusive o Brasil, pois esses contratos são padronizados por um reduzido grupo de bancos privados internacionais que comandam o Sistema da Dívida. Uma dessas cláusulas tenta impedir que o país emissor dos títulos negocie de forma separada com determinados grupos de credores. É a denominada cláusula “pari passu”, que estabelece que qualquer ganho obtido por um grupo de detentores de títulos tem que ser estendido a todos os demais detentores. Por causa dessa cláusula, os 92% de detentores de títulos que renegociaram a dívida em 2005, com 75% de deságio, poderão reivindicar a diferença. Isso seria um absurdo completo, porque aquela renegociação foi feita com taxas de juros elevadíssimas, vinculadas ao crescimento do PIB argentino, para compensar o deságio. E a grande contradição decorre do fato de que os “abutres” nem participaram daquela negociação.
Enfim, são muitas contradições, e elas não tiveram início em 2001, mas muito antes. Estão presentes em toda a trajetória do processo de endividamento do país.
"Outra contradição está relacionada ao risco de essa decisão da Justiça norte-americana afetar os termos da renegociação feita pela Argentina em 2005, e impor ônus abusivo ao país" |
Maria Lúcia Fattorelli - A trajetória da dívida externa argentina é muito parecida com a de diversos países latino-americanos:
- origem em governos ilegítimos (ditaduras militares) em processos não transparentes, sem a devida comprovação da contrapartida da dívida, com suspeitas de que essa foi utilizada para financiar a própria ditadura;
- contratadas, em sua maior parte, com bancos privados internacionais, sujeitas a taxas internacionais de juros (Libor e Prime), que flutuam sob a influência dos próprios bancos privados internacionais que controlam o FED e a Associação de bancos de Londres;
- impactadas fortemente pela brutal elevação unilateral das taxas Libor e Prime, que saltaram de cerca de 5% ao ano para mais de 20% ao ano, provocando a crise de 1981 e a multiplicação da dívida por ela mesma;
- estatização de dívidas privadas, ou seja, transformação de dívidas privadas (de grandes empresas e bancos) em dívidas públicas, a cargo do Banco Central;
- suspeita de prescrição da dívida externa com bancos privados internacionais em 1992 (no Equador esse fato foi comprovado pela auditoria oficial realizada naquele país);
- transformação em títulos negociáveis no mercado, no processo denominado “Plano Brady”, realizado em 1994 em paraísos fiscais e repleto de ilegalidades;
- emissão continuada de títulos da dívida externa, com a participação dos bancos privados internacionais em todo o processo. Em seguida, tais títulos da dívida externa passaram a ser aceitos como “moeda” na compra de empresas privatizadas na década de 90.
Todos esses passos aqui resumidos se repetiram em diversos países.
Todos esses passos aqui resumidos se repetiram em diversos países.
É preciso ressaltar a intervenção do FMI diante da crise provocada pela alta unilateral dos juros a partir do início dos anos 80, marcada pela imposição de planos de ajuste fiscal para que “sobrassem” recursos para pagar a dívida aos bancos privados internacionais. A Argentina chegou a ser elogiada por ter obedecido de forma tão diligente às determinações do Fundo.
Essa contextualização é importante para compreender que a Argentina chegou à crise, em 2001, depois de acatar por anos seguidos as nefastas exigências do FMI que comprometeram a capacidade econômica do país. Além de tudo isso, no caso da Argentina uma decisão judicial inédita considerou ilegal grande parte da dívida pública.
IHU On-Line - Em que aspectos a dívida pode ser considerada ilegal?
Maria Lúcia Fattorelli - A dívida pública da Argentina já foi considerada ilegal pela Justiça daquele país, em 2000, na famosa “Causa Olmos”, assim denominada em homenagem ao jornalista argentino Alejandro Olmos que, em 1982, teve a iniciativa de impetrar ação judicial denunciando a ilegalidade da dívida.
Essa ação judicial levou a uma investigação que se aproxima de uma auditoria em vários aspectos, e foi concluída com uma importante sentença judicial, em junho de 2000, que reconheceu a existência de diversos delitos e irregularidades, além da clara responsabilidade do Fundo Monetário Internacional nas operações.
Por ocasião da elaboração do nosso livro Auditoria Cidadã da Dívida Pública: Experiências e Métodos, o filho do autor da mencionada ação judicial — Alejandro Olmos Gaona — contribuiu com importante relato que elenca uma série de irregularidades apontadas pelos peritos que participaram da investigação determinada pelo poder judiciário naquela ação:
"O setor financeiro deve existir para servir à economia real, e não o contrário" |
“As perícias determinaram:
a. Que a dívida externa não tinha justificativa legal, nem administrativa, nem financeira.
b. Os procedimentos utilizados pela autoridade econômica foram discricionários e revelam transgressões, irregularidades, comportamentos e gestões que configuram verdadeiros atos ilícitos.
c. As empresas públicas foram obrigadas a endividar-se, embora não tivessem necessidade de financiamento.
d. Em muitos casos as empresas estatais foram obrigadas a contrair empréstimos com bancos estrangeiros para pagar dívidas com bancos nacionais.
e. Os recursos correspondentes aos empréstimos em dólares tomados pelas empresas estatais iam diretamente para o Banco Central, que lhes entregava pesos (moeda argentina) que se desvalorizavam.
f. Houve malversação de fundos.
g. As reservas internacionais correspondiam a empréstimos do sistema bancário internacional que nunca chegavam ao país e eram aplicados nos mesmos bancos credores a uma taxa inferior, causando perda de enormes somas de dinheiro.
h. A dívida externa fraudulenta das empresas privadas foi assumida pelo Estado em 1982.
i. Os avais a empresas públicas e privadas concedidos pelo Banco Central tiveram que ser pagos por esta instituição, que nunca reclamou das empresas o seu reembolso.”
Constata-se, assim, que além de muitas ilegitimidades, ocorreram também flagrantes ilegalidades no processo de endividamento argentino.
IHU On-Line - Quais as razões de o país ter contraído uma dívida tão alta, considerada “materialmente impagável” por alguns economistas? É possível identificar quais são os mecanismos financeiros que fizeram a dívida da Argentina chegar ao atual patamar?
Maria Lúcia Fattorelli - A maior parte dessa dívida nunca foi contratada; ou seja, grande parte do que está registrado como “dívida” corresponde, na realidade, a diversos mecanismos que já mencionei nas respostas anteriores, sendo que os mais infames correspondem à geração de dívidas sem contrapartida durante a ditadura, a transformação de dívidas privadas em públicas e os processos de salvamento bancário por meio de geração de dívidas públicas.
Nesses processos o dinheiro nunca chega aos cofres públicos, mas o valor é contabilizado como “dívida”. Dívidas sem contrapartida se tornam um ônus insustentável. É por isso que defendemos a realização de completa auditoria do processo de endividamento público.
Processos de endividamento
Temos estudado o processo de endividamento em diversos países, e as evidências se repetem em vários deles. As dívidas são geradas por processos questionáveis, sem transparência, e sem qualquer contrapartida em bens, serviços ou benefícios para a coletividade. Em seguida, são multiplicadas por diversos mecanismos que provocam o seu contínuo crescimento, utilizando-se de juros excessivos, juros sobre juros, taxas diversas, comissões e custos financeiros abusivos; condições viciadas; sucessivos refinanciamentos que provocam o aumento da dívida, entre outras estratégias que provocam a autogeração contínua de novas dívidas. Esse esquema exige constante entrega de recursos para o pagamento de elevados juros, comissões e outros gastos, enquanto o saldo da dívida segue aumentando. A essa utilização do endividamento público às avessas denominamos “Sistema da Dívida”.
As dívidas geradas e multiplicadas dessa forma se tornam impagáveis ao longo dos anos e geram crises periódicas. E quando vem a crise, intervém o FMI, com seus planos de ajuste fiscal e antirreformas, baseadas em cortes de direitos sociais para priorizar o pagamento de dívidas públicas, aprofundando os problemas econômicos do país.
É necessário conhecer que dívidas os povos estão pagando. A AUDITORIA é a ferramenta que nos permite conhecer e documentar este processo.
O Equador provou a eficiência da ferramenta de auditoria. Em 2007 o presidente Rafael Correa editou o Decreto 472, mediante o qual criou uma comissão para realizar auditoria da dívida interna e externa equatoriana, nomeando diversos membros nacionais e seis internacionais. Todos os membros internacionais eram vinculados a alguma instituição relacionada ao questionamento do endividamento público, por isso tive a honra de ser uma dessas seis pessoas, representando a Auditoria Cidadã da Dívida. O resultado do trabalho foi impressionante, pois respaldou o ato soberano do presidente, que permitiu a anulação de 70% da dívida externa em títulos (bônus global 2012 e 2030). Os recursos liberados têm sido investidos principalmente em saúde e educação, como mostra o gráfico a seguir, que demonstra a queda dos gastos com a dívida ao mesmo tempo em que retrata o aumento dos investimentos sociais:
IHU On-Line - O que a dívida da Argentina revela sobre o funcionamento do mercado financeiro e da ação dos Estados em relação aos recursos nacionais?
Maria Lúcia Fattorelli - O exemplo argentino evidencia o imenso poder do setor financeiro privado no mundo atual; mostra como a corte suprema do país mais rico do mundo pende em defesa de um questionável fundo abrigado em paraíso fiscal, em detrimento de um país.
Em nosso livro Auditoria Cidadã da Dívida Pública: Experiências e Métodos, analisamos brevemente a concentração de poder, controle e propriedade dos negócios mundiais nas mãos do setor financeiro. Essa concentração brutal tem permitido a interferência desse setor em políticas e decisões governamentais estratégicas. Esse poderio financeiro sobre as nações é obtido, principalmente, por intermédio do financiamento de ditaduras ou de campanhas eleitorais “democráticas”, conseguindo, dessa maneira, dominar o poder político e subordiná-lo aos interesses do capital financeiro para, em seguida, alcançar as modificações das estruturas legais em seu favor e de acordo com os seus interesses.
Estamos vivendo a fase aguda do capitalismo financeirizado: a associação dessa brutal concentração de poder com a ausência de regulamentação financeira, exacerbando o domínio do setor financeiro e deixando sem limites a sua atuação.
No Brasil também assistimos esse processo, que inicia com financiamento de campanhas, seguido da adoção de modelo econômico e medidas que favorecem o setor financeiro, principalmente através do Sistema da Dívida. Estamos pagando dívidas ilegais e negando direitos sociais básicos. O Orçamento Geral da União de 2014 destina 42% dos recursos para juros e amortizações de uma dívida que nunca foi auditada, em flagrante violação à Constituição Federal de 1988, que determinou a realização da auditoria da dívida brasileira.
"Atualmente o setor financeiro ocupa uma posição extremamente privilegiada, atuando à vontade, com acesso a paraísos fiscais" |
IHU On-Line - Diante deste caso, como deveria ocorrer uma regulamentação do mercado financeiro?
Maria Lúcia Fattorelli - O setor financeiro deve existir para servir à economia real, e não o contrário. Atualmente o setor financeiro ocupa uma posição extremamente privilegiada, atuando à vontade, com acesso a paraísos fiscais, sigilo bancário e uma série de privilégios que protegem tanto as grandes instituições como os fundos abutres.
Algumas medidas já foram debatidas mundialmente, como a “taxa Tobin”, por exemplo, que prevê a taxação de cada transação financeira, a fim de identificar cada operação. Outras ideias relacionadas à exigência de transparência esbarram no privilégio do sigilo bancário. Há movimentos internacionais que lutam pelo fim dos paraísos fiscais, mas também esbarram no poderio financeiro instalado nas grandes potências.
Aqui na América Latina há um grande debate em andamento desde 2007, em favor de uma Nova Arquitetura Financeira Regional (NAFR), mas aqui no Brasil esse importante debate está muito atrasado.
A NAFR, tal como se desenvolve atualmente, se ergue sobre três pilares principais: o Banco do Sul (banco de desenvolvimento), o Fundo Comum de Reservas do Sul (fundo para a estabilidade monetária e taxas de câmbio) e oSistema Único de Compensação Regional de pagamentos (organização comercial).
O objetivo é alcançar uma maior autonomia econômica e financeira para favorecer o desenvolvimento sustentável soberano, em um marco de integração regional [1].
Um dos princípios da NAFR é a construção de um sistema financeiro regional soberano, democrático e transparente, orientado para um novo modelo de desenvolvimento, e que esteja a serviço das pessoas, de forma inclusiva e equitativa. Já foi aprovada pelos parlamentos de cinco países — Argentina, Bolívia, Equador, Uruguai e Venezuela¬ —, mas ainda necessita de mais adesões.
IHU On-Line - Como a dívida da Argentina tem repercutido entre os diversos Estados? É possível identificar uma posição de algumas nações em relação à situação da Argentina?
Maria Lúcia Fattorelli - O Brasil e outros países da América Latina têm defendido uma solução diplomática para esta questão. Porém, o ideal seria que todos os países se unissem para avançar o processo de implantação de uma Nova Arquitetura Financeira Regional, bem como para realizar auditoria das dívidas, para investigar e trazer à luz como todas as dívidas foram contratadas e por que cresceram, assim como feito pelo Equador. Seria uma grande oportunidade dos governos responderem à altura contra esta humilhação imposta pelo capital financeiro.
IHU On-Line - Qual é a situação econômica da Argentina, considerando o altíssimo valor da sua dívida pública? Qual tem sido o impacto da dívida da Argentina no orçamento federal?
Maria Lúcia Fattorelli - O serviço (juros e principal) da dívida argentina tem tido um peso importante no orçamento público e tem aumentado aceleradamente a cada ano, principalmente devido à aplicação de taxas de juros vinculadas à variação do PIB.
IHU On-Line - A Argentina poderia ter evitado a sua dívida pública na proporção em que está? Como?
Maria Lúcia Fattorelli - Sem dúvida. A partir do respaldo contido na sentença judicial da “Causa Olmos” proferida no ano 2000, poderiam ter prosseguido com os trabalhos, realizado a auditoria da dívida e adotado medidas soberanas, como fez o Equador.
Ainda há tempo, pois os crimes cometidos por esse processo de endividamento ilegal e ilegítimo provocou danos sociais e humanos irreparáveis, que são considerados crimes de ação continuada, e não prescrevem.
NOTAS
[1] LEGEARD, Nathanaël (2011). Nueva arquitectura financiera para el desarrollo en América Latina y Ecuador. Universitas - Revista de Ciencias Sociales y Humanas, UPC, Ecuador, 14, pp 43-71, Enero/Junio. Disponível em:http://universitas.ups.edu.ec/documents/1781427/1792977/02Art14.pdf.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
ESTADO DE ISRAEL, LIXO DO NAZISMO
O Estado de Israel e o Hamas, para variar, estão trocando chumbo de novo: O Hamas dispara seus "peidos de velha" contra Israel e este revida com suas "cabeças de negro". Minto, está mal comparado, o Hamas usa seus "traques de massa" (estalinhos) e Israel seus rojões. Na origem desse conflito três adolescentes de Israel foram assassinados com tiros de pistolas dotadas de silenciadores, e um adolescente palestino foi incinerado, talvez vivo. Os senhores da guerra não têm o menor prurido em sacrificar vidas inocentes para dar início a uma guerra. Não importa também comparar o poder de fogo de Israel com o dos palestinos. Israel detém a bomba atômica, por isso fala grosso. Em tese o Islã precisaria que pelo menos um estado muçulmano também tivesse a bomba para fazer com que Israel falasse manso e negociasse. Esse cenário é tétrico, amplias a corrida armamentista, mas é desejado pelos senhores da guerra.
O fato básico é que Israel é uma potência militar que ocupa territórios palestinos. Já estudei direito na UFRJ, não conclui o curso, mas me lembro que Dr. Machado Paupério, na época diretor da faculdade, é autor de um livro intitulado 'O Direito de resistência'. Qualquer povo do mundo tem o direito de resistir a um ditador, imagine contra a ocupação de uma potência estrangeira. Mas Israel "quer" (é um Estado muito voluntarioso) que os palestinos, mesmo debaixo do tacão israelense, fiquem com o rabo entre as pernas. Aprenderam isso com os nazistas que ocuparam vários países e não admitiam que os movimentos de resistência matassem militares nazistas. Os nazistas se vingavam matando muitos homens nos países ocupados, o mesmo que faz Israel. Se Israel troca mil prisioneiros palestinos por apenas um soldado israelense, certamente acha natural matar mil palestinos por causa de apenas um israelense morto.
O que está na origem disso tudo? O povo judeu vivia espalhado pelo mundo desde a diáspora ocorrida antes de Cristo. Pela interpretação religiosa judaica a diáspora foi um castigo divino por conta da rebeldia do povo hebreu para com Deus, mas que quando voltasse a obedecer ao Senhor este lhes presentearia com uma nação soberana e "senhora do mundo" (qualquer semelhança com as teses dos 'Protocolos' é mera coincidência). No exílio o povo judeu sofreu muito, foi vítima de perseguição (pogroms) em diversos países. Até que com a Segunda Guerra Mundial veio o pior de todos os pogroms, o holocausto que incluía até uma "solução final". E os nazistas deram início a essa barbaridade com a participação do IG Farben um colosso químico-farmacêutico alemão constituído por empresas como Bayer, Basf, Hoescht, Agfa, etc. que forneceu o gás para matar os judeus, antes já havia criado o gás mostarda usado na Primeira Guerra Mundial.
Terminada a guerra e com a revelação dos campos de extermínio criados pela Alemanha nazista. O movimento sionista que desde o século XIX preconizava a volta do povo judeu à Palestina para lá construir seu "lar nacional", ganhou força, combinado com a consciência européia culpada, foi aprovado pela ONU a criação do Estado de Israel ao lado de um Estado palestino. Uma decisão da ONU movida pelo holocausto, sendo o holocausto uma obra do nazismo posso concluir que a situação que a ONU engendrou é filha do nazismo, é lixo do Terceiro Reich. Israel, ironia da história, é um "presente" que Hitler deixou para a humanidade. Acontece que no território onde ficaria o novo Estado de Israel já havia um povo morando lá, os árabes. A decisão de se criar artificialmente dois estados na palestina foi uma aplicação do método nazista. Tal proposta teria que ser melhor discutida inclusive pela população que morava na Palestina. A Palestina é uma Terra Santa para as três grandes religiões monoteístas. Não devia comportar um estado judeu e nem muçulmano. A proposta de criação de um estado judeu na palestina não foi aceita nem pelo povo que lá vivia nem pelos países árabes, e os sionistas tiveram que entrar em guerra com os palestinos em 1947 e com os árabes em 1948. Árabes e palestinos perderam a guerra e o Estado de Israel para se estabelecer naquele território teve que expulsar mais de 700 mil palestinos usando métodos terroristas. Hoje esse povo expulso de suas casas são mais de 4 milhões vivendo em guetos de refugiados ou em países vizinhos.
Israel se estabeleceu no território designado pela ONU, mas na guerra de 1967 ocupou mais territórios que mantém ocupados ou sob controle até hoje. Os palestinos, hoje estão maduros para administrar um estado, mas Israel não aceita a existência de um estado palestino. Israel é um estado artificial que depende de política afirmativa nesse sentido. A Israel interessa o estado de guerra permanente com os palestinos, isso atende os interesses da indústria de armas da qual Israel é teúdo e manteúdo.
Por outro lado, a manter a filosofia nazicapitalista (o pensamento capitalista enriquecido por contribuições do nazismo) não haverá solução para o conflito israelo-palestino. De nada vai adiantar a criação de um estado palestino dotado de forças armadas, como sói acontecer com um estado que se preze no sistema nazicapitalista. O estado palestino terá que ser um estado sem forças armadas, para tanto Israel também terá que ser um estado sem armas, terá que desmontar seu arsenal atômico e derrubar o novo muro da vergonha da humanidade. As fronteiras terão que ser livres, do jeito que judeus poderão criar colônias nos territórios palestinos, os palestinos poderão estabelecer residência no território israelense. Esse ódio mortal entre palestinos e israelenses é muto semelhante ao ódio racial (não a-toa a ONU disse que sionismo é uma forma de racismo). E a única solução definitiva para esse problema é a proposta do doutor Gilberto Freyre, é que os rapazes israelenses possam se casar com as morenas palestinas, e os rapazes palestinos possam se casar com as ruivas israelenses. Fazer amor em vez da guerra, amor físico, fudelança generalizada. O filho de um israelense com uma palestina não será nem judeu nem palestino.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
SANEAMENTO BÁSICO VERGONHA NACIONAL
No tempo de João Goulart apenas uma em cada três residências no Brasil estava ligada a uma rede de coleta de esgoto. Noventa e cinco por cento (95%) do esgoto produzido pelo povo brasileiro eram lançados 'in natura' nos rios e valas. Os milicos que derrubaram Jango criaram nos anos 70 o Plano Nacional de Saneamento (Planasa), gerido pelo Banco Nacional de Habitação (BNH). São dessa época a Cedae, Sabesp e Compesa. Mas de corrupção em corrupção o problema não foi resolvido e nos dias de hoje em pleno terceiro milênio o problema se agravou. Como apenas 5% dos esgotos eram tratados em 1960 isso significa que 67 milhões de brasileiros jogavam o cocô nos cursos d'água. Atualmente, 37,5% dos esgotos são tratados, mas como somos 201 milhões de pessoas, consequentemente, 126 milhões continuam poluindo as águas dos rios com suas fezes. Apesar disso, no ritmo de hoje, segundo o economista Agostinho Vieira, de quem peguei esses números (Globo de 01/05/14) vamos precisar de mais de trinta ou quarenta anos para chegar perto de algo que possa se chamar de civilização.
Vejamos agora o custo humanitário dessa brincadeira. No Brasil, mais de 36 milhões de pessoas continuam sem água potável. Por ano são registradas cerca de 350 mil internações provocadas por diarréia, doença tipica da falta de saneamento. São bilhões de reais desperdiçados com saúde pública. Dados do Instituto Trata Brasil dizem que com a universalização dos serviços de água e esgoto a economia com a redução de faltas ao trabalho chegaria a 258 bilhões de reais. A valorização dos imóveis chegaria a 178 bilhões. O custo estimado da universalização do saneamento básico do país é de apenas 320 bilhões de reais. Por que "apenas"? Porque o Brasil paga ao grande esquema de corrupção chamado de DÍVIDA PÚBLICA a BAGATELA DE DUZENTOS BILHÕES POR ANO.
Bastaria dar um calote nos agiotas durante dois anos. Esse esquema de corrupção não passa de um esquema pós moderno de acumulação de capital via desvio de dinheiro público para empresas privadas. Maria Lucia Fattorelli (vide Dívida Cidadã) diz que se for feita uma auditoria em nossa Dívida Pública ela seria reduzida em aproximadamente 70%. E a Constituição manda fazer isso em suas disposições transitórias, mas nem Sarney, nem Collor, nem Itamar, nem FHC, nem Lula, nem Dilma tiveram peito. Dilma tem 'peito' e tem mais um mandato pela frente. Vamos ver.
Por que o Brasil deixa seu povo à míngua, sem água limpa, e rasteja numa condição de colônia exportadora de commodities, e não se desenvolve rumo ao pódio das grandes potências? Por que em vez de usar suas economias para educar o povo para o futuro usa para pagar juros aos agiotas detentores de papeis podres? O economista Adriano Benayon explica. É que os agiotas do capital financeiro, malandramente, escreveram uma frase e inseriram essa frase, de contrabando, na Constituição. É isso mesmo que ele diz: os agiotas introduziram à revelia do Congresso, um dispositivo na Constituição que manda justamente PRIVILEGIAR o pagamento dos juros da dívida. Por isso o governo deixa o povo morrer doente, e até privatiza patrimônio público para poder pagar 200 BILHÕES por ano à oligarquia financeira anglo-americana.
Finalizo com um detalhe tétrico. Os traficantes de açúcar aproveitam nossas 350 mil vítimas de diarreia para fazer propaganda do "soro caseiro" (uma colher de açúcar e uma pitada de sal num copo d'água).
Vejamos agora o custo humanitário dessa brincadeira. No Brasil, mais de 36 milhões de pessoas continuam sem água potável. Por ano são registradas cerca de 350 mil internações provocadas por diarréia, doença tipica da falta de saneamento. São bilhões de reais desperdiçados com saúde pública. Dados do Instituto Trata Brasil dizem que com a universalização dos serviços de água e esgoto a economia com a redução de faltas ao trabalho chegaria a 258 bilhões de reais. A valorização dos imóveis chegaria a 178 bilhões. O custo estimado da universalização do saneamento básico do país é de apenas 320 bilhões de reais. Por que "apenas"? Porque o Brasil paga ao grande esquema de corrupção chamado de DÍVIDA PÚBLICA a BAGATELA DE DUZENTOS BILHÕES POR ANO.
Bastaria dar um calote nos agiotas durante dois anos. Esse esquema de corrupção não passa de um esquema pós moderno de acumulação de capital via desvio de dinheiro público para empresas privadas. Maria Lucia Fattorelli (vide Dívida Cidadã) diz que se for feita uma auditoria em nossa Dívida Pública ela seria reduzida em aproximadamente 70%. E a Constituição manda fazer isso em suas disposições transitórias, mas nem Sarney, nem Collor, nem Itamar, nem FHC, nem Lula, nem Dilma tiveram peito. Dilma tem 'peito' e tem mais um mandato pela frente. Vamos ver.
Por que o Brasil deixa seu povo à míngua, sem água limpa, e rasteja numa condição de colônia exportadora de commodities, e não se desenvolve rumo ao pódio das grandes potências? Por que em vez de usar suas economias para educar o povo para o futuro usa para pagar juros aos agiotas detentores de papeis podres? O economista Adriano Benayon explica. É que os agiotas do capital financeiro, malandramente, escreveram uma frase e inseriram essa frase, de contrabando, na Constituição. É isso mesmo que ele diz: os agiotas introduziram à revelia do Congresso, um dispositivo na Constituição que manda justamente PRIVILEGIAR o pagamento dos juros da dívida. Por isso o governo deixa o povo morrer doente, e até privatiza patrimônio público para poder pagar 200 BILHÕES por ano à oligarquia financeira anglo-americana.
Finalizo com um detalhe tétrico. Os traficantes de açúcar aproveitam nossas 350 mil vítimas de diarreia para fazer propaganda do "soro caseiro" (uma colher de açúcar e uma pitada de sal num copo d'água).
segunda-feira, 2 de junho de 2014
DECRETO 8.243. UM AVANÇO DEMOCRÁTICO HISTÓRICO
DECRETO 8.243 DE 23/05/14. UM AVANÇO DEMOCRÁTICO HISTÓRICO
A presidente Dilma encaminhou ao Congresso o Decreto 8.243 que cria a Política Nacional de Participação Social e o Sistema Nacional de Participação Social.
Esse decreto da Dilma é um tremendo avanço democrático, uma superação da nossa democracia representativa corrompida até o tutano. Abre espaço para que o povo organizado influa nas políticas públicas. Certamente Dilma "fugiu para a frente" empurrada pelas "jornadas de junho de 2013". As hienas da direita formadoras de opinião estão desesperadas. Até o Estadão já escreveu seu editorial reacionário.
Agora a gente (we the people) vai poder barrar esse processo de privatização sub-reptícia (sem licitação) que vem ocorrendo em nosso país onde se entrega a administração de hospitais, universidades públicas,e até o Teatro Municipal, etc. às tais OSs ("organizações sociais") na verdade pequenos grupos de tubarões capitalistas. O povo vai poder fiscalizar o dinheiro público e impedir a corrupção na fonte. A atual situação é completamente hipócrita: A Polícia Federal e o Ministério Público desbaratam quadrilhas, um "inquérito" é montado para inglês ver (na verdade é apenas uma peça de uma "negociação"), os corruptos ficam impunes e como diz a descendente de João Havelange: "O que tinha que ser roubado já foi".
A presidente Dilma encaminhou ao Congresso o Decreto 8.243 que cria a Política Nacional de Participação Social e o Sistema Nacional de Participação Social.
Esse decreto da Dilma é um tremendo avanço democrático, uma superação da nossa democracia representativa corrompida até o tutano. Abre espaço para que o povo organizado influa nas políticas públicas. Certamente Dilma "fugiu para a frente" empurrada pelas "jornadas de junho de 2013". As hienas da direita formadoras de opinião estão desesperadas. Até o Estadão já escreveu seu editorial reacionário.
Agora a gente (we the people) vai poder barrar esse processo de privatização sub-reptícia (sem licitação) que vem ocorrendo em nosso país onde se entrega a administração de hospitais, universidades públicas,e até o Teatro Municipal, etc. às tais OSs ("organizações sociais") na verdade pequenos grupos de tubarões capitalistas. O povo vai poder fiscalizar o dinheiro público e impedir a corrupção na fonte. A atual situação é completamente hipócrita: A Polícia Federal e o Ministério Público desbaratam quadrilhas, um "inquérito" é montado para inglês ver (na verdade é apenas uma peça de uma "negociação"), os corruptos ficam impunes e como diz a descendente de João Havelange: "O que tinha que ser roubado já foi".
domingo, 18 de maio de 2014
É A EDUCAÇÃO ESTÚPIDO!
É A EDUCAÇÃO, ESTÚPIDO !
O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele
Kant
Peço desculpas ao leitor pela falta de educação do título do artigo. É que foi obrigatória a alusão à famosa frase de James Carville, o marketeiro de Bill Clinton que o levou à vitória contra o pai de George Bush que buscava a reeleição com base em seus feitos bélicos. Carville entrou para a história por ser autor de uma frase estúpida.
Minha proposta é questionar sobre o que é mais importante para efeito do futuro de um país: o foco na economia ou na educação?
Eu diria que não é o foco na economia, especialmente porque a ciência econômica contemporânea está fundamentada em determinadas instituições e teorias. Se colocarmos uma excelente "equipe econômica" no comando da economia de um país, o sucesso dessa equipe será medido pelos índices de inflação, de desemprego, pelo nível do superávit primário, pela gangorra da balança comercial, e pelo balanço de pagamentos, e pela sucessão de recessão ou aquecimento induzidos. Tais objetivos fazem parte da "fisiologia" da economia, obedecem a uma filosofia que privilegia mais o mercado que a sociedade; mais a economia que a política, economia que peca pelo "economicismo" (Luiz Werneck Vianna). O sucesso da equipe econômica resulta naquela situação em que o general Garrastazu Médici diagnosticou: "A economia vai bem mas o povo vai mal". Isso ocorre porque está institucionalizada uma situação em que nosso país vem sendo governado sem partir de um projeto nacional-popular. Segundo Fernando Henrique Cardoso "projeto de país" é um tema ultrapassado, o Brasil segundo ele já está "projetado" e o que nos resta é fazer parte do jogo.
Entrementes se o Brasil está desenhado por um "projeto de país" com certeza não não é um projeto nosso, de interesse do povo brasileiro. Se o povo brasileiro desse palpite quando nosso projeto de país estivesse sendo escrito, jamais assinaria um documento em que se prioriza juntar dinheiro para pagar juros do esquema de agiotagem da Dívida Pública e deixa o povo sem saneamento básico. Não assinaria igualmente um projeto que não assegurasse uma sólida educação de base que preparasse o povo para a ascensão em matéria de ciência e tecnologia. É por falta de um projeto nosso que o Brasil não consegue sequer sair da estaca zero que seria acabar com o analfabetismo. O projeto que está em vigor e do qual o povo não participa faz com que o Brasil se agigante sobre pés de barro. Parafraseando Zuenir Ventura uma nação partida.
O foco na educação não é novidade. Os gregos antigos que inauguraram a filosofia ocidental colocavam o projeto paideia acima de tudo. Por paideia entenda-se a formação do homem grego. A princípio o projeto educacional grego visava o ideal mens sana in corpore sano, depois evoluiu para formar o cidadão, segundo Platão: "um cidadão preparado para governar e ser governado tendo a justiça por fundamento". Aqui no Brasil nós teríamos um esboço de paideia se tivesse vingado o projeto dos CIEPS de Leonel Brizola, escola pública de qualidade de turno integral. A atual situação de escola pública sucateada para obrigar a classe média a pagar pelo ensino de seus filhos faz parte da realização de um projeto de Brasil que não é o do nosso povo. O foco na educação implica em assumir uma unidade cognitiva e moral básica aos processos de construção nacional. O povo brasileiro nunca foi chamado a sentar na mesa para redigir um projeto que leve em conta os seus interesses porque nossa burguesia retardatária na industrialização do país preferiu um projeto escrito a quatro mãos com o latifúndio, daí que a reforma agrária nunca foi cogitada.
Um projeto de país pressupõe a existência de um país: território, povo e cultura. Mas o somatório dos fatores que compõem um país resulta numa nação amorfa. E continará uma nação amorfa, uma nação "maria vai com as outras" se for orientada por um projeto de país escrito por sua elite associada com interesses estrangeiros, caso do Brasil até hoje.
É o projeto pedagógico é a paideia que confere ao país caráter e personalidade,"unidade cognitiva e moral". Os Estados Unidos promoveram a universalização do ensino fundamental no século XIX, em 1865. A China apenas mais de um século depois, nos anos 80 do século XX é que promoveu a universalização do acesso à escola e a erradicação do analfabetismo. A Coreia do Sul no final do século XX também erradicou o analfabetismo e colocou 82% dos seus jovens na universidade. O Brasil mesmo no terceiro milênio ainda está na estaca zero, amarga a convivência com 13% de analfabetos. A China hoje se orgulha de ser o primeiro lugar no ranking da PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) e está empenhada em criar 100 universidades de nível internacional. A Coreia não faz por menos e trabalha com o objetivo de simplesmente ultrapassar o Japão. Pelo ranking da PISA o Brasil figura na 55ª posição em leitura, 58ª em matemática e 59ª em ciências. Isso num universo de apenas 65 países.
Mas nem tudo está perdido. As manifestações de junho de 2013 revelaram que o povo brasileiro está maduro para participar da elaboração do projeto de país de sua autoria. Um projeto de país que privilegie a saúde e a educação e que demande no futuro menos médicos e policiais, e menos presídios e hospitais.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
NÃO SOMOS MACACOS
"Não somos macacos"(Texto reproduzido do Boletim do Chico Alencar deputado do P-SOL)
Só se falou nisso durante toda a semana. O brasileiro Daniel Alves, jogador do Barcelona, driblou de forma genial um insulto racista: comeu uma banana atirada contra ele por torcedores rivais.
Até aí, tudo muito bom. A polêmica veio quando Neymar divulgou um vídeo que lançava a campanha 'Somos Todos Macacos'. Diversas celebridades aderiram. Entre os muitos apoiadores, um fato: pouquíssimos negros.
Logo vazou a notícia de que a campanha havia sido produzida por uma agência de publicidade. Na sequência, a grife de Luciano Huck lançou uma camisa, que está à venda. Mas a coisa começou a se mostrar complicada mesmo quando setores da direita mais conservadora - que por diversas vezes flertam com o racismo! - também apoiaram a ação.
Fomos olhar o outro lado e vimos que os movimentos negros e pessoas que debatem o racismo se posicionaram de forma praticamente unânime contra a campanha. Reconhecem a boa vontade de Neymar, mas questionam a mensagem.
São muitos os argumentos: não podemos banalizar os atos racistas, não podemos vender a ilusão de que todos são tratados iguais em uma sociedade desigual, não podemos achar que o combate ao racismo se faz simplesmente por meio de hashtags irrefletidas. Não podemos esquecer que o racismo não é fato excepcional: negros e negras recebem, no dia a dia, mais do que bananas e ofensas. Há uma cor - e uma classe! - que são privadas de direitos e que são alvo privilegiado da violência. Exemplos, não faltam.
O Mandato Chico Alencar separou quatro textos que nos ajudam a refletir sobre o assunto. Boa leitura! [Textos: A bananização do racismo/Ana MªGonçalves;Contra o racismo nada de bananas.../NegroBelchior;Macacos e vadias/Luka.
COMENTÁRIO: Parece que o Incêndio do Reichstag não foi obra dos nazistas, mas Hitler espertíssimo e oportunista capitalizou o fato para concentrar poder. Esse fato mencionado acima envolveu um torcedor racista ridículo que recebeu uma resposta genial do Daniel Silva de um 'fair play' inenarrável. A resposta do jogador deveria ter sido suficiente para abafar o fato. O próprio Daniel contou que usou de humor diante dos ridículos racistinhas. Mas alguns espertalhões capitalistas aproveitaram o fato para ganhar dinheiro. O Neimar pode ter sido exortado a fazer o que fez, por amizade, ou ter feito o papel de um inocente útil. O fato é que descobriu-se que o mote "Somos todos macacos" foi criado por um marketeiro. "Coincidentemente" o Luciano Hulk lança uma camiseta para a campanha a 60 reais cada. A gente sabe o que capitalistas são capazes de fazer para ganhar dinheiro: criar um factóide que gere uma demanda é prova de uma fina inteligência empresarial.
DIGRESSÃO FINAL. Certa vez Leonel Brizola conseguiu na justiça um direito de resposta que obrigou a TV Globo ler um editorial escrito pelo engenheiro. Quem leu o "tijolaço" brizolista foi Cid Moreira. Brizola comentou que "O bugio branco" lera o texto melhor do que ele o faria. Cid Moreira poderia ter processado Brizola, mas não o fez. Se o fizesse seria por causa de baixa auto-estima.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
AÇÚCAR NO SITE DO DR DRÁUZIO VARELLA
AÇÚCAR NO SITE DO DR DRÁUZIO VARELLA:
O doutor Dráuzio Varella não consome açúcar há décadas. Provavelmente ele leu Sugar Blues de William Dufty. Eu cobrava dele um texto dele sobre açúcar. Agora descobri que no site dele (drauziovarella.com.br) tem um artigo sobre açúcar que reproduzo aqui e comento:
A autora do artigo é TAINAH MEDEIROS.
"Evitar doces é uma tarefa quase impossível para muitos. Além do sabor agradável, a guloseima serve muitas vezes como um calmante emocional, principalmente para mulheres em época de TPM (Tensão Pré-Menstrual). Ricos em açúcar e com alto valor glicêmico (energético), os quitutes ajudam na produção de serotonina, hormônio encarregado de regular o humor, mas o excesso pode trazer quilos a mais e insuficiência de insulina".
* Conheça os sintomas e tratamento para diabetes
"A nutricionista Fernanda Pisciolaro, membro da ABESO (Associação Brasileira de Estudos Sobre a Obesidade), explica que antes de o açúcar cair na corrente sanguínea, ele passa pelo pâncreas, glândula que secreta insulina para quebrar a glicose e controlar a quantidade que irá chegar à corrente sanguínea. ”Quando o alimento contém muito açúcar, a insulina encontra dificuldades para fazer seu trabalho e acaba deixando grande quantidade de glicose ir para o sangue”, explica Psiciolaro".
"A endocrinologista Lívia Lugarinho, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, explica que quando se consome muito açúcar, o corpo reage negativamente. “No começo, o pâncreas tende a produzir mais insulina para normalizar as taxas, mas depois ele começa a não dar conta de tanta demanda. A produção do hormônio da insulina começa a entrar em falência parcial, produzindo pouco hormônio, ou total, quando deixa de ser produzido. Se ela não funciona, a glicose vai em excesso para corrente sanguínea, o que resulta em diabetes” explica Lugarinho. As consequências da diabetes são muitas, entre elas problemas neurológicos, cardiovasculares, nos olhos e nos rins".
"Há ainda o risco de obesidade. Os doces são carboidratos altamente calóricos e ricos em gordura, que têm como função dar disposição e energia. Quando a quantidade ingerida passa da conta e as atividades da pessoa não são suficientes para usar todas essas calorias, porém, o excesso é revertido em tecido adiposo para ser armazenado. Além de uma possível insatisfação com a aparência, o acúmulo de gordura corporal pode levar a doenças graves como hipertensão e outras cardiopatias".
* O lado bom do açúcar
“O açúcar é a forma mais rápida de fornecer glicose para o corpo”, diz Pisciolaro. Esse componente é essencial para o funcionamento do cérebro, da retina e dos rins. “Quando ficamos com deficiência de glicose (condição conhecida como hipoglicemia), sentimos dor de cabeça e os olhos começam ficar vertiginosos”, explica Lugarinho.
"A glicose ainda auxilia na proliferação das Bifidobactérias e dos Lactobacillus sp. Essas bactérias compõem a flora intestinal e contribuem para a eliminação de bactérias nocivas como a Escherichia coli e o Clostridium. Sem contar que o açúcar é uma importante fonte de cálcio, fósforo, ferro, cloro, potássio, sódio, magnésio e de vitaminas do complexo B".
"Mas isso não significa que doces precisam fazer parte do cardápio diário. O açúcar é encontrado também em frutas e em fontes salgadas, como massas, pães e bolachas. “O ideal é que a pessoa não consuma doces e faça uso do açúcar dos outros alimentos”, reforça Lugarinho.
Pisciolaro discorda. “Por questões sociais, é quase impossível cortar os doces da dieta. Temos que pensar nas situações do cotidiano. Você vai a uma festa, ver um monte de guloseima, como não ficar com vontade? A pessoa pode se dar o prazer de consumi-lo, não é errado, só tem que maneirar”.
"Não existe uma quantidade ideal de açúcar para ser consumida diariamente, mas a nutricionista dá uma ideia dos limites. “Você pode comer até duas colheres de doce de leite por dia, dois brigadeiros, uma latinha de refrigerante ou uma fatia pequena de pudim, por exemplo. Sem extrapolar”.
MEU COMENTÁRIO (Fernando): A nutricionista Fernanda Pisciolaro, da ABESO, diz que o açúcar "passa pelo pâncreas" que secreta insulina "para quebrar a glicose". Isso está me cheirando a samba do crioulo doido. O açúcar (sacarose refinada) não passa pelo pâncreas e quem "quebra" a sacarose são as sacaridades (enzimas pancreáticas) e não a insulina (hormônio endócrino), cujo papel é "empurrar" a glicose para dentro dos músculos. Ainda segundo essa nutricionista aloprada o açúcar (sacarose refinada) "É a forma mais rápida de fornecer glicose". Não pode ser porque o "açúcar" fornecido pelas frutas (glicose e frutose) são absorvidos DIRETAMENTE pelo organismo (a glicose, a frutose tem um mecanismo de absorção diferente, mais lento) enquanto que o maldito do açucareiro ainda terá que ser "quebrado" pelas enzimas pancreáticas (em glicose e frutose).
A nutricionista Lívia Lugarinho tem a cabeça no lugar e recomenda que "O ideal é que a pessoa não consuma doces". E complementa: "E faça uso do açúcar de outros alimentos". Querendo dizer com isso que o "açúcar" que interessa ao corpo não é o do açucareiro e sim os fornecidos pelos cereais (o amido) e pelas frutas (glicose e frutose). O açúcar do açucareiro que faz parte dos doces, sorvetes, iogurtes e bolos é uma porcaria causadora de cárie, diabetes e obesidade.
O lado bom do açúcar
“O açúcar é a forma mais rápida de fornecer glicose para o corpo”, diz Pisciolaro. Esse componente é essencial para o funcionamento do cérebro, da retina e dos rins. “Quando ficamos com deficiência de glicose (condição conhecida como hipoglicemia), sentimos dor de cabeça e os olhos começam ficar vertiginosos”, explica Lugarinho.
A glicose ainda auxilia na proliferação das Bifidobactérias e dos Lactobacillus sp. Essas bactérias compõem a flora intestinal e contribuem para a eliminação de bactérias nocivas como a Escherichia coli e o Clostridium. Sem contar que o açúcar é uma importante fonte de cálcio, fósforo, ferro, cloro, potássio, sódio, magnésio e de vitaminas do complexo B.
Mas isso não significa que doces precisam fazer parte do cardápio diário. O açúcar é encontrado também em frutas e em fontes salgadas, como massas, pães e bolachas. “O ideal é que a pessoa não consuma doces e faça uso do açúcar dos outros alimentos”, reforça Lugarinho.
Pisciolaro discorda. “Por questões sociais, é quase impossível cortar os doces da dieta. Temos que pensar nas situações do cotidiano. Você vai a uma festa, ver um monte de guloseima, como não ficar com vontade? A pessoa pode se dar o prazer de consumi-lo, não é errado, só tem que maneirar”.
Não existe uma quantidade ideal de açúcar para ser consumida diariamente, mas a nutricionista dá uma ideia dos limites. “Você pode comer até duas colheres de doce de leite por dia, dois brigadeiros, uma latinha de refrigerante ou uma fatia pequena de pudim, por exemplo. Sem extrapolar”.
MEU COMENTÁRIO: A nutricionista Fernanda Pisciolaro, da ABESO, diz que o açúcar "passa pelo pâncreas" que secreta insulina "para quebrar a glicose". Isso está me cheirando a samba do crioulo doido. O açúcar (sacarose refinada) não passa pelo pâncreas e quem "quebra" a sacarose são as sacaridades (enzimas pancreáticas) e não a insulina (hormônio endócrino), cujo papel é "empurrar" a glicose para dentro dos músculos. Ainda segundo essa nutricionista aloprada o açúcar (sacarose refinada) "É a forma mais rápida de fornecer glicose". Não pode ser porque o "açúcar" fornecido pelas frutas (glicose e frutose) são absorvidos DIRETAMENTE pelo organismo (a glicose, a frutose tem um mecanismo de absorção diferente, mais lento) enquanto que o maldito do açucareiro ainda terá que ser "quebrado" pelas enzimas pancreáticas (em glicose e frutose).
A nutricionista Lívia Lugarinho tem a cabeça no lugar e recomenda que "O ideal é que a pessoa não consuma doces". E complementa: "E faça uso do açúcar de outros alimentos". Querendo dizer com isso que o "açúcar" que interessa ao corpo não é o do açucareiro e sim os fornecidos pelos cereais (o amido) e pelas frutas (glicose e frutose). O açúcar do açucareiro que faz parte dos doces, sorvetes, iogurtes e bolos é uma porcaria causadora de cárie, diabetes e obesidade.
O doutor Dráuzio Varella não consome açúcar há décadas. Provavelmente ele leu Sugar Blues de William Dufty. Eu cobrava dele um texto dele sobre açúcar. Agora descobri que no site dele (drauziovarella.com.br) tem um artigo sobre açúcar que reproduzo aqui e comento:
A autora do artigo é TAINAH MEDEIROS.
"Evitar doces é uma tarefa quase impossível para muitos. Além do sabor agradável, a guloseima serve muitas vezes como um calmante emocional, principalmente para mulheres em época de TPM (Tensão Pré-Menstrual). Ricos em açúcar e com alto valor glicêmico (energético), os quitutes ajudam na produção de serotonina, hormônio encarregado de regular o humor, mas o excesso pode trazer quilos a mais e insuficiência de insulina".
* Conheça os sintomas e tratamento para diabetes
"A nutricionista Fernanda Pisciolaro, membro da ABESO (Associação Brasileira de Estudos Sobre a Obesidade), explica que antes de o açúcar cair na corrente sanguínea, ele passa pelo pâncreas, glândula que secreta insulina para quebrar a glicose e controlar a quantidade que irá chegar à corrente sanguínea. ”Quando o alimento contém muito açúcar, a insulina encontra dificuldades para fazer seu trabalho e acaba deixando grande quantidade de glicose ir para o sangue”, explica Psiciolaro".
"A endocrinologista Lívia Lugarinho, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, explica que quando se consome muito açúcar, o corpo reage negativamente. “No começo, o pâncreas tende a produzir mais insulina para normalizar as taxas, mas depois ele começa a não dar conta de tanta demanda. A produção do hormônio da insulina começa a entrar em falência parcial, produzindo pouco hormônio, ou total, quando deixa de ser produzido. Se ela não funciona, a glicose vai em excesso para corrente sanguínea, o que resulta em diabetes” explica Lugarinho. As consequências da diabetes são muitas, entre elas problemas neurológicos, cardiovasculares, nos olhos e nos rins".
"Há ainda o risco de obesidade. Os doces são carboidratos altamente calóricos e ricos em gordura, que têm como função dar disposição e energia. Quando a quantidade ingerida passa da conta e as atividades da pessoa não são suficientes para usar todas essas calorias, porém, o excesso é revertido em tecido adiposo para ser armazenado. Além de uma possível insatisfação com a aparência, o acúmulo de gordura corporal pode levar a doenças graves como hipertensão e outras cardiopatias".
* O lado bom do açúcar
“O açúcar é a forma mais rápida de fornecer glicose para o corpo”, diz Pisciolaro. Esse componente é essencial para o funcionamento do cérebro, da retina e dos rins. “Quando ficamos com deficiência de glicose (condição conhecida como hipoglicemia), sentimos dor de cabeça e os olhos começam ficar vertiginosos”, explica Lugarinho.
"A glicose ainda auxilia na proliferação das Bifidobactérias e dos Lactobacillus sp. Essas bactérias compõem a flora intestinal e contribuem para a eliminação de bactérias nocivas como a Escherichia coli e o Clostridium. Sem contar que o açúcar é uma importante fonte de cálcio, fósforo, ferro, cloro, potássio, sódio, magnésio e de vitaminas do complexo B".
"Mas isso não significa que doces precisam fazer parte do cardápio diário. O açúcar é encontrado também em frutas e em fontes salgadas, como massas, pães e bolachas. “O ideal é que a pessoa não consuma doces e faça uso do açúcar dos outros alimentos”, reforça Lugarinho.
Pisciolaro discorda. “Por questões sociais, é quase impossível cortar os doces da dieta. Temos que pensar nas situações do cotidiano. Você vai a uma festa, ver um monte de guloseima, como não ficar com vontade? A pessoa pode se dar o prazer de consumi-lo, não é errado, só tem que maneirar”.
"Não existe uma quantidade ideal de açúcar para ser consumida diariamente, mas a nutricionista dá uma ideia dos limites. “Você pode comer até duas colheres de doce de leite por dia, dois brigadeiros, uma latinha de refrigerante ou uma fatia pequena de pudim, por exemplo. Sem extrapolar”.
MEU COMENTÁRIO (Fernando): A nutricionista Fernanda Pisciolaro, da ABESO, diz que o açúcar "passa pelo pâncreas" que secreta insulina "para quebrar a glicose". Isso está me cheirando a samba do crioulo doido. O açúcar (sacarose refinada) não passa pelo pâncreas e quem "quebra" a sacarose são as sacaridades (enzimas pancreáticas) e não a insulina (hormônio endócrino), cujo papel é "empurrar" a glicose para dentro dos músculos. Ainda segundo essa nutricionista aloprada o açúcar (sacarose refinada) "É a forma mais rápida de fornecer glicose". Não pode ser porque o "açúcar" fornecido pelas frutas (glicose e frutose) são absorvidos DIRETAMENTE pelo organismo (a glicose, a frutose tem um mecanismo de absorção diferente, mais lento) enquanto que o maldito do açucareiro ainda terá que ser "quebrado" pelas enzimas pancreáticas (em glicose e frutose).
A nutricionista Lívia Lugarinho tem a cabeça no lugar e recomenda que "O ideal é que a pessoa não consuma doces". E complementa: "E faça uso do açúcar de outros alimentos". Querendo dizer com isso que o "açúcar" que interessa ao corpo não é o do açucareiro e sim os fornecidos pelos cereais (o amido) e pelas frutas (glicose e frutose). O açúcar do açucareiro que faz parte dos doces, sorvetes, iogurtes e bolos é uma porcaria causadora de cárie, diabetes e obesidade.
O lado bom do açúcar
“O açúcar é a forma mais rápida de fornecer glicose para o corpo”, diz Pisciolaro. Esse componente é essencial para o funcionamento do cérebro, da retina e dos rins. “Quando ficamos com deficiência de glicose (condição conhecida como hipoglicemia), sentimos dor de cabeça e os olhos começam ficar vertiginosos”, explica Lugarinho.
A glicose ainda auxilia na proliferação das Bifidobactérias e dos Lactobacillus sp. Essas bactérias compõem a flora intestinal e contribuem para a eliminação de bactérias nocivas como a Escherichia coli e o Clostridium. Sem contar que o açúcar é uma importante fonte de cálcio, fósforo, ferro, cloro, potássio, sódio, magnésio e de vitaminas do complexo B.
Mas isso não significa que doces precisam fazer parte do cardápio diário. O açúcar é encontrado também em frutas e em fontes salgadas, como massas, pães e bolachas. “O ideal é que a pessoa não consuma doces e faça uso do açúcar dos outros alimentos”, reforça Lugarinho.
Pisciolaro discorda. “Por questões sociais, é quase impossível cortar os doces da dieta. Temos que pensar nas situações do cotidiano. Você vai a uma festa, ver um monte de guloseima, como não ficar com vontade? A pessoa pode se dar o prazer de consumi-lo, não é errado, só tem que maneirar”.
Não existe uma quantidade ideal de açúcar para ser consumida diariamente, mas a nutricionista dá uma ideia dos limites. “Você pode comer até duas colheres de doce de leite por dia, dois brigadeiros, uma latinha de refrigerante ou uma fatia pequena de pudim, por exemplo. Sem extrapolar”.
MEU COMENTÁRIO: A nutricionista Fernanda Pisciolaro, da ABESO, diz que o açúcar "passa pelo pâncreas" que secreta insulina "para quebrar a glicose". Isso está me cheirando a samba do crioulo doido. O açúcar (sacarose refinada) não passa pelo pâncreas e quem "quebra" a sacarose são as sacaridades (enzimas pancreáticas) e não a insulina (hormônio endócrino), cujo papel é "empurrar" a glicose para dentro dos músculos. Ainda segundo essa nutricionista aloprada o açúcar (sacarose refinada) "É a forma mais rápida de fornecer glicose". Não pode ser porque o "açúcar" fornecido pelas frutas (glicose e frutose) são absorvidos DIRETAMENTE pelo organismo (a glicose, a frutose tem um mecanismo de absorção diferente, mais lento) enquanto que o maldito do açucareiro ainda terá que ser "quebrado" pelas enzimas pancreáticas (em glicose e frutose).
A nutricionista Lívia Lugarinho tem a cabeça no lugar e recomenda que "O ideal é que a pessoa não consuma doces". E complementa: "E faça uso do açúcar de outros alimentos". Querendo dizer com isso que o "açúcar" que interessa ao corpo não é o do açucareiro e sim os fornecidos pelos cereais (o amido) e pelas frutas (glicose e frutose). O açúcar do açucareiro que faz parte dos doces, sorvetes, iogurtes e bolos é uma porcaria causadora de cárie, diabetes e obesidade.
O SUS COMO REFÉM DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA
A indústria farmacêutica herdeira do IG Farben já descobriu como manter toda a humanidade na condição de doente e escrava do uso de medicamentos. Inventou também uma pérola de mercado que é o "medicamento de alto custo". Uma drágea de um medicamento desse tipo, baseado em biotecnologia, pode custar até 50 mil reais. O pobre SUS não tem como pagar um absurdo desses, mas os doentes, especialmente o pessoal de classe média apela para advogados de porta de farmácia, especializados em processar o SUS para que pague por esses medicamentos. E os juízes mandam o SUS pagar porque está escrito na Constituição que saúde é um direito de todos e obrigação do Estado.
Resultado o SUS paga esses remédios caros que são utilizados por 2% dos doentes. Para tanto gasta 40% da verba de que dispõe. Para os outros 98% dos doentes restam 60% da verba. Isso é uma distorção. E se dependesse do PSDB a coisa iria piorar. Esse partido enviou uma emenda à PEC do Orçamento Impositivo para obrigar o SUS aumentar o investimento na Saúde de 64 para 128 bilhões. Por sorte o governo conseguiu boicotar essa manobra que iria dar força ao trem da alegria da farra de medicamentos que assola o país.
Parece que já foi aprovado testes para detecção do vírus de hepatite C. Doença para a qual já existe o medicamento interferon (medicamento de alto custo). A detecção desse vírus exige "exames de alta complexidade", (exames caros). Com o vírus da hepatite C a gente convive com ele assim como convivemos com o vírus da herpes. A longo prazo ele "pode" dar problemas. Mas o escândalo não se resume a obrigar o SUS a pagar essa farra de produtos "de alto custo". O vírus da hepatite C é transmitido principalmente por quem compartilha seringas de injeção, ou seja drogados, e também em BEM MENOR escala por comportamento sexual promíscuo. Ou seja um caso de doença de grupo de risco, mas o lobby da indústria farmacêutica conseguiu fazer com que o governo trata-se toda a população como um imenso grupo de risco de drogados e devassos sexuais.
Não vi ninguém protestar. E aí doutores onde estão os senhores?
Tenho pra mim que ninguém fala nada porque fica parecendo que a gente é contra a medicação da sociedade. Medicar racionalmente é uma coisa, "medicalização" desenhada para sangrar o SUS é outra. O mais certo ainda seria retirar o açúcar da comida, o flúor da água e colocar os meninos na escola (de turno integral). No futuro demandaríamos menos médicos e policiais; menos hospitais e presídios.
Resultado o SUS paga esses remédios caros que são utilizados por 2% dos doentes. Para tanto gasta 40% da verba de que dispõe. Para os outros 98% dos doentes restam 60% da verba. Isso é uma distorção. E se dependesse do PSDB a coisa iria piorar. Esse partido enviou uma emenda à PEC do Orçamento Impositivo para obrigar o SUS aumentar o investimento na Saúde de 64 para 128 bilhões. Por sorte o governo conseguiu boicotar essa manobra que iria dar força ao trem da alegria da farra de medicamentos que assola o país.
Parece que já foi aprovado testes para detecção do vírus de hepatite C. Doença para a qual já existe o medicamento interferon (medicamento de alto custo). A detecção desse vírus exige "exames de alta complexidade", (exames caros). Com o vírus da hepatite C a gente convive com ele assim como convivemos com o vírus da herpes. A longo prazo ele "pode" dar problemas. Mas o escândalo não se resume a obrigar o SUS a pagar essa farra de produtos "de alto custo". O vírus da hepatite C é transmitido principalmente por quem compartilha seringas de injeção, ou seja drogados, e também em BEM MENOR escala por comportamento sexual promíscuo. Ou seja um caso de doença de grupo de risco, mas o lobby da indústria farmacêutica conseguiu fazer com que o governo trata-se toda a população como um imenso grupo de risco de drogados e devassos sexuais.
Não vi ninguém protestar. E aí doutores onde estão os senhores?
Tenho pra mim que ninguém fala nada porque fica parecendo que a gente é contra a medicação da sociedade. Medicar racionalmente é uma coisa, "medicalização" desenhada para sangrar o SUS é outra. O mais certo ainda seria retirar o açúcar da comida, o flúor da água e colocar os meninos na escola (de turno integral). No futuro demandaríamos menos médicos e policiais; menos hospitais e presídios.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
RACISMO ESTÚPIDO NO BRASIL
Estão criando no Brasil uma forma estúpida de racismo. Pela pior forma de racismo que já existiu os nórdicos se julgavam "superiores" a negros, ciganos, eslavos, etc. Digamos que era um racismo "sádico". O racismo estúpido que estão querendo criar no Brasil é um racismo ao contrário, digamos um racismo "masoquista", que pretende apresentar o negro como vítima do "NÃO NEGRO" (que absurdo! essa expressão. Há quem diga que os judeus são racistas e eles se referem aos outros como "não judeus"). Esse racismo estúpido quer se apropriar dos mestiços. "Negro" seria um somatório de pretos e pardos. Por acaso os mestiços foram consultados? Na comunidade Gilberto Freyre do orkut encontramos um Movimento Brasil Mestiço cujo líder foi chamado por um negro de "Cor de merda". O rapaz ficou traumatizado. Um plebiscito acabaria com essa besteira do racismo estúpido. O povo brasileiro possui MAIS DE CEM CORES, o IBGE sabe disso. Tem cor de canela, cor de jambo, ruço, sarará, e, como diz o João Ubaldo: "moreno craro" (de olhos verdes), etc. O IBGE bem que poderia publicar essa lista das cores do povo brasileiro. Essas estatísticas sobre desemprego e diferenças de salários seguidas da expressão: "Nada justifica essa disparidade". Se tal disparidade existe ela É ILEGAL e deve ser combatida com ações judiciais e não com uma "política afirmativa" que se revela burra porque não percebe isso, além de criar racismo onde não existe. Por esse racismo burro, agora, nas salas de aula, nas repartições públicas, nos parlamentos, nas fábricas e empresas em geral passará a existir a consciência de uma COMPOSIÇÃO RACIAL PARA DIVIDIR O POVO BRASILEIRO. Onde tem fumaça, tem fogo. INTERESSES PODEROSOS E ESCUSOS COM CERTEZA ESTÃO POR TRÁS DESSA PALHAÇADA.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
BIOGRAFIAS POLÊMICAS
BIOGRAFIAS POLÊMICAS
O caso mais famoso entre nós é o de Roberto Carlos que, biografado por Paulo Cesar de Araujo: "Roberto Carlos em detalhes", processou o autor e conseguiu proibir a publicação do livro. Existem outros casos mais, como o da biografia de Paulo Leminsky escrita por Toninho Vaz. Depois da primeira edição esgotada, a família pressionou a outra editora que faria a segunda edição para não publicar e o editor preferiu não se arriscar. O título da biografia é "O bandido que sabia latim", e a família entendeu que Paulo Leminsky e família não ficavam bem na fita dessa biografia, especialmente por causa dos detalhes sórdidos de seu suicídio. Quem mereceu biografia polêmica foi Chaplin que foi biografado pelo psiquiatra Stephen Weissman. Nunca devemos esperar amenidades de biografias escritas por médicos ou estudiosos da alma humana.
O problema se resume em saber se uma biografia pode ser livremente escrita e publicada ou tem que ter uma autorização prévia do biografado. O próprio Roberto Carlos já voltou atrás e disse que as "biografias não autorizadas" devem ser publicadas. Desde que haja antes uns ajustes, acordos, etc. A bela Renata Vasconcelos tentou extrair dele que ajustes seriam esses, mas o Rei é mais escorregadio que uma enguia e não disse. Disse que o objetivo é o "equilíbrio" e que a coisa seja boa para ambos os lados. Tenho pra mim que ele ficou sem graça de dizer que esse equilíbrio significava 50% para o biógrafo e 50% para o biografado.
Voltando ao problema: o óbvio ululante é que a produção de biografias deve ser livre. É uma questão de democracia, dois direitos estão em jogo: o de liberdade de trabalho intelectual do autor e o direito à informação do leitor. Agora, autorização prévia para a produção de uma biografia é uma conversa autoritária de joão-sem-braço. Lamentável que Chico Buarque e Caetano Veloso tenham embarcado nessa. Um tropeço de dois campeões da democracia. A simples produção de uma biografia já é um avanço da cultura. Se a biografia contiver difamação, atentar contra a honra do biografado, apela-se para a Justiça. Simples assim.
Vejamos algumas histórias mais sobre biografias e avanço da cultura. Raimundo Magalhães Júnior escreveu uma biografia crítica de Ruy Barbosa: "Ruy, o homem e o mito". Um fã de Ruy, salvo engano, o escritor Fernando Jorge, escreveu um livro em resposta ao do Magalhães Júnior intitulado: "Uma pulga na asa da Águia". Ruy era conhecido como a Águia de Haya" por conta de sua atuação nas Nações Unidas. Creio que o personagem mais biografado do mundo seja Jesus Cristo. Em umas biografias é dito que os judeus foram culpados por sua morte. Outras defendem um ponto de vista diferente. Resumindo a liberdade de publicação faz a cultura avançar e se aperfeiçoar.
O caso mais famoso entre nós é o de Roberto Carlos que, biografado por Paulo Cesar de Araujo: "Roberto Carlos em detalhes", processou o autor e conseguiu proibir a publicação do livro. Existem outros casos mais, como o da biografia de Paulo Leminsky escrita por Toninho Vaz. Depois da primeira edição esgotada, a família pressionou a outra editora que faria a segunda edição para não publicar e o editor preferiu não se arriscar. O título da biografia é "O bandido que sabia latim", e a família entendeu que Paulo Leminsky e família não ficavam bem na fita dessa biografia, especialmente por causa dos detalhes sórdidos de seu suicídio. Quem mereceu biografia polêmica foi Chaplin que foi biografado pelo psiquiatra Stephen Weissman. Nunca devemos esperar amenidades de biografias escritas por médicos ou estudiosos da alma humana.
O problema se resume em saber se uma biografia pode ser livremente escrita e publicada ou tem que ter uma autorização prévia do biografado. O próprio Roberto Carlos já voltou atrás e disse que as "biografias não autorizadas" devem ser publicadas. Desde que haja antes uns ajustes, acordos, etc. A bela Renata Vasconcelos tentou extrair dele que ajustes seriam esses, mas o Rei é mais escorregadio que uma enguia e não disse. Disse que o objetivo é o "equilíbrio" e que a coisa seja boa para ambos os lados. Tenho pra mim que ele ficou sem graça de dizer que esse equilíbrio significava 50% para o biógrafo e 50% para o biografado.
Voltando ao problema: o óbvio ululante é que a produção de biografias deve ser livre. É uma questão de democracia, dois direitos estão em jogo: o de liberdade de trabalho intelectual do autor e o direito à informação do leitor. Agora, autorização prévia para a produção de uma biografia é uma conversa autoritária de joão-sem-braço. Lamentável que Chico Buarque e Caetano Veloso tenham embarcado nessa. Um tropeço de dois campeões da democracia. A simples produção de uma biografia já é um avanço da cultura. Se a biografia contiver difamação, atentar contra a honra do biografado, apela-se para a Justiça. Simples assim.
Vejamos algumas histórias mais sobre biografias e avanço da cultura. Raimundo Magalhães Júnior escreveu uma biografia crítica de Ruy Barbosa: "Ruy, o homem e o mito". Um fã de Ruy, salvo engano, o escritor Fernando Jorge, escreveu um livro em resposta ao do Magalhães Júnior intitulado: "Uma pulga na asa da Águia". Ruy era conhecido como a Águia de Haya" por conta de sua atuação nas Nações Unidas. Creio que o personagem mais biografado do mundo seja Jesus Cristo. Em umas biografias é dito que os judeus foram culpados por sua morte. Outras defendem um ponto de vista diferente. Resumindo a liberdade de publicação faz a cultura avançar e se aperfeiçoar.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
MÉDICOS CUBANOS
Quando Dilma falou em médicos cubanos ela frisou que é para áreas onde os médicos brasileiros não querem trabalhar. Dizem que há prefeituras de grotões oferecendo 30 mil reais de salário para médicos. Mas os médicos se recusam a ir porque lá faltam condições de trabalho. Os médicos brasileiros são dependentes da tal "medicina diagnóstica", porque não sabem mais diagnosticar uma doença, precisam dos exames sofisticados de laboratórios. Nos grotões não tem tomografia computadorizada. Os médicos brasileiros são também dependentes da indústria farmacêutica. Seu trabalho consiste em encaixar o paciente numa doença e prescrever a droga associada a essa doença. Drogas que não faltam no repertório de 40 mil drogas comercializadas pelas farmacêuticas. A medicina cubana trabalha com uma lista de "medicamentos essenciais" composta de poucas centenas de medicamentos. A medicina brasileira também tem sua lista de medicamentos essenciais só que adulterada com a introdução de drogas impostas pelo lobby da indústria farmacêutica incluindo genérico de viagra. Nossa lista consta de 800 medicamentos. Mesmo assim essa lista de nada vale porque a Constituição garante que "saúde é um direito de todos e dever do estado". De modo que quando um médico do SUS prescreve um medicamento da lista dos essenciais, o paciente prefere a droga (patenteada e cara) da lista das quarenta mil drogas das multinacionais farmacêuticas. No Brasil já existe a classe dos "advogados de porta de farmácia" especializados em processar o SUS para obrigá-lo a pagar medicamentos como os "biológicos" cuja uma drágea custa até 50 mil reais e o tratamento 200 mil reais. Aqui no Brasil existe um esquema comensalista montado que se sustenta mutuamente de alimentos e medicamentos. A população é alimentada com uma RAÇÃO AÇUCARADA que causa várias epidemias (cárie, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, etc.) e os médicos doutrinados pelo cartel farmacêutico prescrevendo drogas. Nos Estados Unidos as MORTES IATROGÊNICAS (decorrentes de tratamento médico) já são a principal causa de mortes por doenças; câncer e doenças vasculares ficam respectivamente em segundo e terceiro lugares. E o Brasil imita o modelo de medicina americano.
Cuba devido ao covarde bloqueio americano teve que se virar e constituir uma medicina mais preventiva e se limitou aos mencionados "medicamentos essenciais", ou seja, uma medicina apropriada a condições de pobreza que é o que prevalece no interior do nosso país. Os médicos cubanos são portanto bem-vindos. A presença deles aqui terá o papel de um contraponto que talvez faça nossa classe médica começar a pensar, porque hoje está antolhada pela indústria farmacêutica
Cuba devido ao covarde bloqueio americano teve que se virar e constituir uma medicina mais preventiva e se limitou aos mencionados "medicamentos essenciais", ou seja, uma medicina apropriada a condições de pobreza que é o que prevalece no interior do nosso país. Os médicos cubanos são portanto bem-vindos. A presença deles aqui terá o papel de um contraponto que talvez faça nossa classe médica começar a pensar, porque hoje está antolhada pela indústria farmacêutica
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
A bomba de Putin
A Rússia explodiu, no ultimo dia 11 de setembro (que data!), uma bomba convencional quatro vezes mais potente que a equivalente norte-americana. A vantagem é que bombas convencionais não poluem o ambiente com radiação como as bombas nucleares. A desvantagem é que isto significa corrida armamentista. É bem verdadea que Bush toda vez que se defronta com coisas dessa natureza faz questão de frisar que "A Russia é um país amigo". Os inimigos eleitos pelos americanos todos sabem: Irã, Síria... curiosamente os mesmos inimigos de Israel. É triste a gente ver o mundo a girar informado pela lógica da guerra e não a da paz como deveria ser. É essa "necessidade" de guerra criada artificialmente pelos abutres (eles gostam de ser chamados de "falcões") de todos os países que faz com que os economistas definam sua ciência como "aquela que administra recusos escassos". Claro, depois de se gastar o que se gasta com a guerra, os recursos ficam escassos para atender as reais necessidades humanas.
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sexta-feira, 14 de setembro de 2007
O país dos homens caídos
Estou cansado de ver gente caída pelas calçadas. Já me imaginei um fotógrafo registrando essas imagens, especialmente aquelas em que o "mendigo" dorme em frente a uma agência bancária. Em seguida faria uma exposição intitulada: "O país dos homens caídos". Tem crianças, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos e de todas as cores; às vezes famílias inteiras. Perto de onde moro, durante um tempo, morou uma velhinha que lembrava minha avó. É um desperdício de vida. Nosso país, nosso tipo de civilização baseada na lógica do capital, é uma máquina de triturar destinos pessoais.
E o que é que a sociedade ou o Estado tem feito diante desse fato: escorraçar os "moradores" de rua. Os expedientes são os mais absurdos, já vi um edifício que criou um sistema hidráulico que joga água na calçada, durante a noite, para evitar os candidatos a dormir embaixo da marquise. O próprio movimento de retirada das marquises não obedece apenas ao cuidado causado pela queda de marquises que já ceifou muitas vidas para vergonha da construção civil brasileira. É também para retirar o abrigo "natural" dos que dormem no chão. Por baixo das passarelas do Aterro do Flamengo há pedras ponteagudas afixadas com cimento, além de luzes.
Nos Estados Unidos surgiu o banco de praça à prova de mendigos, um banco abaulado que não permite que uma pessoa deite para dormir. Essa moda chegou ao Rio de Janeiro, os bancos de pontos de ônibus são de metal, com 15 centímetros de profundidade e inclinados. Mesmo assim esses bancos estão sendo retirados. Os bancos de praça também estão sumindo. Em frente ao Hospital dos Servidores do Estado (HSE) na área portuária que está sendo reformada há uma praça enorme recém construída sem um banco sequer.
Dentro do Túnel Velho, em Copacabana, vivem umas dez pessoas, lá também tenta-se afastar esse povo com luzes fortes. Foi colocado refletores a cada cinco metros, cada um com capacidade de iluminar uns cinqüenta metros. Certamente o Túnel Velho é o túnel mais bem iluminado do mundo. Mas isso não foi suficiente para expulsar as pessoas, elas dormem sob a luz desses refletores fortíssimos e, pior que isso, ouvindo o barulho dos motores dos carros, ônibus e motocicletas, e cheirando gás carbônico. Me pergunto se o que foi gasto com esses refletores, a conta de luz no final de cada mês e o custo de manutenção não daria para pagar dez quartos de um hotel barato para hospedar esse povo.
O pior disso tudo é a mensagem que passa, é como se a sociedade e o Estado dissesse para essas pessoas "vocês não são bem-vindos", "fora daqui!".
São personas non grata. E não pessoas roubadas em seus direitos humanos mais elementares, roubadas, literalmente, pela sociedade e pelo Estado. Quando um mendigo toma uma garrafa de cachaça, o governo recebe o imposto sobre o consumo e o comerciante que vendeu lucra.
E tal mensagem, tal recado, termina funcionado como um sinal verde, uma carta branca, uma autorização para que a sociedade jogue duro com o povo de rua e faça uso seja de um pó-de-mico, seja cacos de vidro, graxa ou pregos para expulsar o povo de rua dos locais que lhes resta para cair.
O climax dessa história é previsível: pode ser a expulsão de mendigos, procedimento nazista que já foi posto em prática por algumas prefeituras do sul do país; e finalmente a matança de mendigos à pauladas ou tiros, como já ocorreu em São Paulo, ou ainda, atear fogo nesse pessoal, como também já aconteceu em Brasília; iniciativa dos filhos da classe média que imolaram o índio Galdino Jesus dos Santos, pensando que tratava-se de um mendigo. E agora essa exuberância irracional de pura barbárie que foi o caso do menino preso como num garrote vil a um poste.
O povo de rua é o refugo do funcionamento da máquina capitalista. E tocar fogo nesse lixo humano é o que o regime tem para apresentar. O capitalismo é um cadáver ambulante que esqueceram de enterrar.
E o que é que a sociedade ou o Estado tem feito diante desse fato: escorraçar os "moradores" de rua. Os expedientes são os mais absurdos, já vi um edifício que criou um sistema hidráulico que joga água na calçada, durante a noite, para evitar os candidatos a dormir embaixo da marquise. O próprio movimento de retirada das marquises não obedece apenas ao cuidado causado pela queda de marquises que já ceifou muitas vidas para vergonha da construção civil brasileira. É também para retirar o abrigo "natural" dos que dormem no chão. Por baixo das passarelas do Aterro do Flamengo há pedras ponteagudas afixadas com cimento, além de luzes.
Nos Estados Unidos surgiu o banco de praça à prova de mendigos, um banco abaulado que não permite que uma pessoa deite para dormir. Essa moda chegou ao Rio de Janeiro, os bancos de pontos de ônibus são de metal, com 15 centímetros de profundidade e inclinados. Mesmo assim esses bancos estão sendo retirados. Os bancos de praça também estão sumindo. Em frente ao Hospital dos Servidores do Estado (HSE) na área portuária que está sendo reformada há uma praça enorme recém construída sem um banco sequer.
Dentro do Túnel Velho, em Copacabana, vivem umas dez pessoas, lá também tenta-se afastar esse povo com luzes fortes. Foi colocado refletores a cada cinco metros, cada um com capacidade de iluminar uns cinqüenta metros. Certamente o Túnel Velho é o túnel mais bem iluminado do mundo. Mas isso não foi suficiente para expulsar as pessoas, elas dormem sob a luz desses refletores fortíssimos e, pior que isso, ouvindo o barulho dos motores dos carros, ônibus e motocicletas, e cheirando gás carbônico. Me pergunto se o que foi gasto com esses refletores, a conta de luz no final de cada mês e o custo de manutenção não daria para pagar dez quartos de um hotel barato para hospedar esse povo.
O pior disso tudo é a mensagem que passa, é como se a sociedade e o Estado dissesse para essas pessoas "vocês não são bem-vindos", "fora daqui!".
São personas non grata. E não pessoas roubadas em seus direitos humanos mais elementares, roubadas, literalmente, pela sociedade e pelo Estado. Quando um mendigo toma uma garrafa de cachaça, o governo recebe o imposto sobre o consumo e o comerciante que vendeu lucra.
E tal mensagem, tal recado, termina funcionado como um sinal verde, uma carta branca, uma autorização para que a sociedade jogue duro com o povo de rua e faça uso seja de um pó-de-mico, seja cacos de vidro, graxa ou pregos para expulsar o povo de rua dos locais que lhes resta para cair.
O climax dessa história é previsível: pode ser a expulsão de mendigos, procedimento nazista que já foi posto em prática por algumas prefeituras do sul do país; e finalmente a matança de mendigos à pauladas ou tiros, como já ocorreu em São Paulo, ou ainda, atear fogo nesse pessoal, como também já aconteceu em Brasília; iniciativa dos filhos da classe média que imolaram o índio Galdino Jesus dos Santos, pensando que tratava-se de um mendigo. E agora essa exuberância irracional de pura barbárie que foi o caso do menino preso como num garrote vil a um poste.
O povo de rua é o refugo do funcionamento da máquina capitalista. E tocar fogo nesse lixo humano é o que o regime tem para apresentar. O capitalismo é um cadáver ambulante que esqueceram de enterrar.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
A civilização do açúcar
Ao contrário do que todos pensam: nossas mães, os médicos, os nutricionistas e até os químicos o açúcar não é um alimento! É apenas um aditivo químico adoçante. Melhor dizendo é uma substância química pura, agressora do organismo. Além de ser responsável único pelas cáries - isso mesmo, se o açúcar fosse varrido da mesa as cáries desapareceriam - o açúcar agride diuturnamente o metabolismo e vários "sistemas" do corpo: o endócrino, o imunológico, o nervoso, o vascular etc.
O fato de o açúcar ser hoje algo tão avassaladoramente presente na mesa da humanidade, tanto o proveniente do açucareiro quanto o que já vem adicionado de fábrica nos alimentos industrializados, é o que explica ele hoje ser tomado impunemente por alimento; até os dicionários o definem como tal. E a agência do governo que lida com os aditivos químicos alimentares, a Anvisa, não o considera como tal.
Desde que foi trazido do Oriente para a Europa no século X pelos árabes, nessa época uma especiaria caríssima, um luxo ao qual só se podiam dar os reis e nobres até o atual estatuto de produto de consumo de massas, tal transformação tem sido chamada pelos historiadores como uma "revolução". A humanidade conheceu ao longo da história outras revoluçõs tecnológicas como a que instituiu a agricultura, superando o nomadismo; ou a que introduziu a eletricidade deixando para trás o vapor.
A revolução do açúcar abrange a trajetória do açúcar desde seu começo como uma estranha droga doce vinda do Oriente para consumo de reis e nobres europeus, sua evolução para a condição de fármaco, dando corpo e sabor doce a xaropes, o posterior avanço para a condição de especiaria apreciada pelas elites burguesas e finalmente o salto para a mesa de refeições. Tal trajetória só foi possível graças a uma produção de açúcar que ganhou escala cada vez maior depois que espanhóis e portugueses trouxeram para o Novo Mundo a cultura da cana-de-açúcar.
O açúcar extraído da cana já era produzido desde a Antigüidade por indianos e persas. No século XIV, na Europa, um quilo de açúcar equivalia a dez cabeças de gado. Poucos séculos depois os europeus já estavam fabricando açúcar na bacia do Mediterrâneo. Quando o Brasil foi descoberto os portugueses já eram os principais produtores de açúcar da época, faziam-no na Ilha da Madeira. Com a entrada em cena do açúcar produzido, em larga escala, no Novo Mundo, especialmente no Brasil e nas Antilhas, teve início o processo de açucaramento da mesa do europeu. E como se não bastasse o açúcar de cana, por ocasião do Bloqueio Continental imposto aos ingleses, Napoleão Bonaparte incentivou o desenvolvimento da tecnologia de extração do açúcar de beterraba: em decorrência disso, já em 1850 14% da produção mundial eram de açúcar de beterraba, e na virada do século esta percentagem já tinha saltado para 62%. Ao longo do século XX esse quadro se inverteu, passando o açúcar de cana a ser hegemônico.
“Na revolução que o uso generalizado do açúcar causou na Europa do século XVI, o Brasil, principalmente o Nordeste, desempenhou papel importante” - diz Gilberto Freyre. “Sabe-se que antes de 1500 o europeu adoçava seus alimentos e suas bebidas com um pouco de mel: desconhecia o açúcar”.[1] A comilança de açúcar na Europa foi lentamente aumentando ao longo do século XVI. O século XVII marca um grande aumento do consumo de açúcar, sobretudo depois que a população começou a consumir bebidas também tropicais como chocolate, café e chá da Índia. O historiador alemão Edmund von Lippmann descreve em detalhes a evolução do que ele chama de “consumo generalizado de açúcar na Europa”. E cita um professor da época:
“Hoje em dia, não há banquete em que não se gastem muitos artigos de açúcar (...) quase nada se come sem açúcar, usa-se nos temperos, no vinho, em vez de água se bebe água com açúcar, carne, peixes e ovos são servidos com açúcar, finalmente não se usa mais sal que açúcar”. E um livro de culinária de 1570: “açúcar com canela, amêndoa , uva, açafrão e água de rosa é usado em torta, bolos, pastelões, etc., como também em pratos de carne, aves, peixe, manjar branco, etc., sempre segundo o princípio: antes mais que menos”.[2]
É dessa época a advertência do Dr. Hurt. Em 1633, o médico naturalista britânico James Hurt disse em livro que:
“o açúcar, ao ser usado em grandes proporções, provoca efeitos nocivos no corpo; ou seja, o uso desmesurado dele, e igualmente de outros produtos adocicados, aquece o corpo, engendra caquexias, consunções, apodrece os dentes, tornando-os negros, provocando às vezes, um hálito terrivelmente desagradável. Sendo, portanto, aconselhável que os jovens estejam atentos para não se envolver demasiadamente com ele”.[3]
O enorme aumento do consumo de açúcar, que causou logo de saída uma epidemia de cárie dentária, é que deve ter motivado o Dr. Hurt a fazer o alerta. Ele provavelmente foi um dos primeiros a diagnosticar as primeiras manifestações do que seria uma nova era na história da humanidade, a era das doenças crônicas, metabólicas e degenerativas.
Voltando a Gilberto Freyre, [4] o advento e a expansão do açúcar de um ponto-de-vista geohistórico foi assim resumido pelo autor de Casa Grande & Senzala:
“Com a manufatura do açúcar de cana, o açúcar tornou-se presente e, depois de presente, importante na alimentação do homem civilizado. No da Europa, principalmente; e nas sub-Europas que, do Século XVI ao começo do Século XX, tornaram-se grandes extensões coloniais no Oriente, na América e na África”. [5]
O aspecto mais imediato dessa revolução foi a substituição do mel de abelha pelo açúcar como adoçante. Mas longe de limitar-se à simples substituição do mel na mesa da humanidade, a revolução do açúcar desencadeou a partir do século XVII um processo de açucaramento de tudo o que entra pela boca do ser humano: alimentos, bebidas, medicamentos e até pasta de dente e fumaça de cigarro (o tabaco é curtido numa solução açucarada). Empenhada neste processo de açucaramento da vida moderna, a sucroquímica vive a descobrir novas aplicações para o açúcar, o produto químico puro mais abundante e barato do mundo. A sacarose e seus polímeros hoje estão espalhados pelos mais diversos setores da economia. Produto químico polivalente, o açúcar pode ser aproveitado nas indústrias de plástico, cosmético, fertilizante, inseticida, cimento, asfalto, corantes, baterias, adoçante artificial e até como explosivo.
Durante os séculos XVI e XVII, quando a produção mundial de açúcar ainda se contava em milhares de sacos, aquela “fartura” de açúcar, segundo Gilberto Freyre, originou uma “tendência” ao açucaramento da dieta de brasileiros, norte-americanos e europeus. Hoje a fartura de açúcar produzida anualmente, incluindo os açúcares de cana e de beterraba, se aproxima dos 200 milhões de toneladas para uma humanidade de menos de sete bilhões de bocas. Ensacada e enfileirada essa quantidade de açúcar dá para ir até a lua e voltar.
Na mesa da humanidade aquela tendência avançou, inexoravelmente, com a lógica de uma ditadura, num crescendo que vem até os dias de hoje. Assim, o médico americano, Robert Atkins viu esse processo:
“De dois quilos de açúcar por ano passou-se a oitenta quilos por pessoa por ano, em apenas onze gerações. Esta pode ser, talvez, a mais drástica mudança dietética na evolução do homem em seus cinqüenta milhões de anos de existência”. [6]
O açúcar não é o que pensam dele: um alimento inocente para a maioria das pessoas ou um carboidrato como outro qualquer para a maioria dos médicos, dos químicos e dos nutricionistas. É um agente químico agressor do organismo, um corpo estranho na mesa que transformou o alimento do ser humano de meio de vida em meio de doença e morte.
A ditadura do açúcar, uma ditadura de pacote tecnológico,[7] impôs goela abaixo da humanidade a dieta açucarada moderna, a ração patogênica que empurrou o ser humano para a era das doenças crônicas, metabólicas e degenerativas.
A historiadora Elsa Avancini referiu-se à sociedade colonial brasileira como “uma sociedade montada para a produção de açúcar”.[8] Hoje, quinhentos anos depois, o mundo vive o apogeu da civilização do açúcar. Nas palavras do doutor Leão Zagury “uma sociedade estruturada afetivamente em torno do consumo de açúcar”.[9]
A DIETA AÇUCARADA MODERNA empurrou a humanidade para a ERA DAS DOENÇAS CRÔNICAS, METABÓLICAS E DEGENERATIVAS.
Se quisermos nos livrar das vergonhosas epidemias de cárie dentária, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, etc. teremos que, em primeiro lugar, deter o avanço da DITADURA DE PACOTE TECNOLÓGICO DO AÇÚCAR e expulsar da mesa esse corpo estranho doce e nocivo.
O texto acima foi extraído de O LIVRO NEGRO DO AÇÚCAR de minha autoria.
NOTAS
[1] Freyre, Gilberto. Civilização do Açúcar. In: Enc. Barsa. Rio de Janeiro: Encicl. Britânica, 1967, p. 65.
[2] Lippmann, Edmund von. História do açúcar. Rio de Janeiro: IAA, 1942, tomo II, p. 40.
[3] Apud Dufty, William. Sugar blues. Rio de Janeiro: Ground, 1978, p. 56.
[4] Freyre, Gilberto. Açúcar, Coleção canavieira nº 2. Rio de Janeiro: IAA, 1969, p. 17.
[5] Freyre, Gilberto. Op. cit. p. 27.
[6] Atkins, Robert. A Dieta Revolucionária do Dr. Atkins. Rio de Janeiro: Artenova, 1980, p. 61.
[7] O conceito de ditadura de pacote tecnológico foi assimilado de Bautista Vidal que fala do pacote do petróleo.
[8] Avancini, Elsa Gonçaves. Doce Inferno. São Paulo: Atual, 1991, p. 42.
[9] Zagury, Leão et alii. Diabetes sem Medo. Rio de Janeiro: Rocco,1985, p. 34.
[1] Freyre, Gilberto. Civilização do Açúcar. In: Enc. Barsa. Rio de Janeiro: Encicl. Britânica, 1967, p. 65.
[2] Lippmann, Edmund von. História do açúcar. Rio de Janeiro: IAA, 1942, tomo II, p. 40.
[3] Apud Dufty, William. Sugar blues. Rio de Janeiro: Ground, 1978, p. 56.
[4] Freyre, Gilberto. Açúcar, Coleção canavieira nº 2. Rio de Janeiro: IAA, 1969, p. 17.
[5] Freyre, Gilberto. Op. cit. p. 27.
[6] Atkins, Robert. A Dieta Revolucionária do Dr. Atkins. Rio de Janeiro: Artenova, 1980, p. 61.
[7] O conceito de ditadura de pacote tecnológico foi assimilado de Bautista Vidal que fala do pacote do petróleo.
[8] Avancini, Elsa Gonçaves. Doce Inferno. São Paulo: Atual, 1991, p. 42.
[9] Zagury, Leão et alii. Diabetes sem Medo. Rio de Janeiro: Rocco,1985, p. 34.
Ao contrário do que todos pensam: nossas mães, os médicos, os nutricionistas e até os químicos o açúcar não é um alimento! É apenas um aditivo químico adoçante. Melhor dizendo é uma substância química pura, agressora do organismo. Além de ser responsável único pelas cáries - isso mesmo, se o açúcar fosse varrido da mesa as cáries desapareceriam - o açúcar agride diuturnamente o metabolismo e vários "sistemas" do corpo: o endócrino, o imunológico, o nervoso, o vascular etc.
O fato de o açúcar ser hoje algo tão avassaladoramente presente na mesa da humanidade, tanto o proveniente do açucareiro quanto o que já vem adicionado de fábrica nos alimentos industrializados, é o que explica ele hoje ser tomado impunemente por alimento; até os dicionários o definem como tal. E a agência do governo que lida com os aditivos químicos alimentares, a Anvisa, não o considera como tal.
Desde que foi trazido do Oriente para a Europa no século X pelos árabes, nessa época uma especiaria caríssima, um luxo ao qual só se podiam dar os reis e nobres até o atual estatuto de produto de consumo de massas, tal transformação tem sido chamada pelos historiadores como uma "revolução". A humanidade conheceu ao longo da história outras revoluçõs tecnológicas como a que instituiu a agricultura, superando o nomadismo; ou a que introduziu a eletricidade deixando para trás o vapor.
A revolução do açúcar abrange a trajetória do açúcar desde seu começo como uma estranha droga doce vinda do Oriente para consumo de reis e nobres europeus, sua evolução para a condição de fármaco, dando corpo e sabor doce a xaropes, o posterior avanço para a condição de especiaria apreciada pelas elites burguesas e finalmente o salto para a mesa de refeições. Tal trajetória só foi possível graças a uma produção de açúcar que ganhou escala cada vez maior depois que espanhóis e portugueses trouxeram para o Novo Mundo a cultura da cana-de-açúcar.
O açúcar extraído da cana já era produzido desde a Antigüidade por indianos e persas. No século XIV, na Europa, um quilo de açúcar equivalia a dez cabeças de gado. Poucos séculos depois os europeus já estavam fabricando açúcar na bacia do Mediterrâneo. Quando o Brasil foi descoberto os portugueses já eram os principais produtores de açúcar da época, faziam-no na Ilha da Madeira. Com a entrada em cena do açúcar produzido, em larga escala, no Novo Mundo, especialmente no Brasil e nas Antilhas, teve início o processo de açucaramento da mesa do europeu. E como se não bastasse o açúcar de cana, por ocasião do Bloqueio Continental imposto aos ingleses, Napoleão Bonaparte incentivou o desenvolvimento da tecnologia de extração do açúcar de beterraba: em decorrência disso, já em 1850 14% da produção mundial eram de açúcar de beterraba, e na virada do século esta percentagem já tinha saltado para 62%. Ao longo do século XX esse quadro se inverteu, passando o açúcar de cana a ser hegemônico.
“Na revolução que o uso generalizado do açúcar causou na Europa do século XVI, o Brasil, principalmente o Nordeste, desempenhou papel importante” - diz Gilberto Freyre. “Sabe-se que antes de 1500 o europeu adoçava seus alimentos e suas bebidas com um pouco de mel: desconhecia o açúcar”.[1] A comilança de açúcar na Europa foi lentamente aumentando ao longo do século XVI. O século XVII marca um grande aumento do consumo de açúcar, sobretudo depois que a população começou a consumir bebidas também tropicais como chocolate, café e chá da Índia. O historiador alemão Edmund von Lippmann descreve em detalhes a evolução do que ele chama de “consumo generalizado de açúcar na Europa”. E cita um professor da época:
“Hoje em dia, não há banquete em que não se gastem muitos artigos de açúcar (...) quase nada se come sem açúcar, usa-se nos temperos, no vinho, em vez de água se bebe água com açúcar, carne, peixes e ovos são servidos com açúcar, finalmente não se usa mais sal que açúcar”. E um livro de culinária de 1570: “açúcar com canela, amêndoa , uva, açafrão e água de rosa é usado em torta, bolos, pastelões, etc., como também em pratos de carne, aves, peixe, manjar branco, etc., sempre segundo o princípio: antes mais que menos”.[2]
É dessa época a advertência do Dr. Hurt. Em 1633, o médico naturalista britânico James Hurt disse em livro que:
“o açúcar, ao ser usado em grandes proporções, provoca efeitos nocivos no corpo; ou seja, o uso desmesurado dele, e igualmente de outros produtos adocicados, aquece o corpo, engendra caquexias, consunções, apodrece os dentes, tornando-os negros, provocando às vezes, um hálito terrivelmente desagradável. Sendo, portanto, aconselhável que os jovens estejam atentos para não se envolver demasiadamente com ele”.[3]
O enorme aumento do consumo de açúcar, que causou logo de saída uma epidemia de cárie dentária, é que deve ter motivado o Dr. Hurt a fazer o alerta. Ele provavelmente foi um dos primeiros a diagnosticar as primeiras manifestações do que seria uma nova era na história da humanidade, a era das doenças crônicas, metabólicas e degenerativas.
Voltando a Gilberto Freyre, [4] o advento e a expansão do açúcar de um ponto-de-vista geohistórico foi assim resumido pelo autor de Casa Grande & Senzala:
“Com a manufatura do açúcar de cana, o açúcar tornou-se presente e, depois de presente, importante na alimentação do homem civilizado. No da Europa, principalmente; e nas sub-Europas que, do Século XVI ao começo do Século XX, tornaram-se grandes extensões coloniais no Oriente, na América e na África”. [5]
O aspecto mais imediato dessa revolução foi a substituição do mel de abelha pelo açúcar como adoçante. Mas longe de limitar-se à simples substituição do mel na mesa da humanidade, a revolução do açúcar desencadeou a partir do século XVII um processo de açucaramento de tudo o que entra pela boca do ser humano: alimentos, bebidas, medicamentos e até pasta de dente e fumaça de cigarro (o tabaco é curtido numa solução açucarada). Empenhada neste processo de açucaramento da vida moderna, a sucroquímica vive a descobrir novas aplicações para o açúcar, o produto químico puro mais abundante e barato do mundo. A sacarose e seus polímeros hoje estão espalhados pelos mais diversos setores da economia. Produto químico polivalente, o açúcar pode ser aproveitado nas indústrias de plástico, cosmético, fertilizante, inseticida, cimento, asfalto, corantes, baterias, adoçante artificial e até como explosivo.
Durante os séculos XVI e XVII, quando a produção mundial de açúcar ainda se contava em milhares de sacos, aquela “fartura” de açúcar, segundo Gilberto Freyre, originou uma “tendência” ao açucaramento da dieta de brasileiros, norte-americanos e europeus. Hoje a fartura de açúcar produzida anualmente, incluindo os açúcares de cana e de beterraba, se aproxima dos 200 milhões de toneladas para uma humanidade de menos de sete bilhões de bocas. Ensacada e enfileirada essa quantidade de açúcar dá para ir até a lua e voltar.
Na mesa da humanidade aquela tendência avançou, inexoravelmente, com a lógica de uma ditadura, num crescendo que vem até os dias de hoje. Assim, o médico americano, Robert Atkins viu esse processo:
“De dois quilos de açúcar por ano passou-se a oitenta quilos por pessoa por ano, em apenas onze gerações. Esta pode ser, talvez, a mais drástica mudança dietética na evolução do homem em seus cinqüenta milhões de anos de existência”. [6]
O açúcar não é o que pensam dele: um alimento inocente para a maioria das pessoas ou um carboidrato como outro qualquer para a maioria dos médicos, dos químicos e dos nutricionistas. É um agente químico agressor do organismo, um corpo estranho na mesa que transformou o alimento do ser humano de meio de vida em meio de doença e morte.
A ditadura do açúcar, uma ditadura de pacote tecnológico,[7] impôs goela abaixo da humanidade a dieta açucarada moderna, a ração patogênica que empurrou o ser humano para a era das doenças crônicas, metabólicas e degenerativas.
A historiadora Elsa Avancini referiu-se à sociedade colonial brasileira como “uma sociedade montada para a produção de açúcar”.[8] Hoje, quinhentos anos depois, o mundo vive o apogeu da civilização do açúcar. Nas palavras do doutor Leão Zagury “uma sociedade estruturada afetivamente em torno do consumo de açúcar”.[9]
A DIETA AÇUCARADA MODERNA empurrou a humanidade para a ERA DAS DOENÇAS CRÔNICAS, METABÓLICAS E DEGENERATIVAS.
Se quisermos nos livrar das vergonhosas epidemias de cárie dentária, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, etc. teremos que, em primeiro lugar, deter o avanço da DITADURA DE PACOTE TECNOLÓGICO DO AÇÚCAR e expulsar da mesa esse corpo estranho doce e nocivo.
O texto acima foi extraído de O LIVRO NEGRO DO AÇÚCAR de minha autoria.
NOTAS
[1] Freyre, Gilberto. Civilização do Açúcar. In: Enc. Barsa. Rio de Janeiro: Encicl. Britânica, 1967, p. 65.
[2] Lippmann, Edmund von. História do açúcar. Rio de Janeiro: IAA, 1942, tomo II, p. 40.
[3] Apud Dufty, William. Sugar blues. Rio de Janeiro: Ground, 1978, p. 56.
[4] Freyre, Gilberto. Açúcar, Coleção canavieira nº 2. Rio de Janeiro: IAA, 1969, p. 17.
[5] Freyre, Gilberto. Op. cit. p. 27.
[6] Atkins, Robert. A Dieta Revolucionária do Dr. Atkins. Rio de Janeiro: Artenova, 1980, p. 61.
[7] O conceito de ditadura de pacote tecnológico foi assimilado de Bautista Vidal que fala do pacote do petróleo.
[8] Avancini, Elsa Gonçaves. Doce Inferno. São Paulo: Atual, 1991, p. 42.
[9] Zagury, Leão et alii. Diabetes sem Medo. Rio de Janeiro: Rocco,1985, p. 34.
[1] Freyre, Gilberto. Civilização do Açúcar. In: Enc. Barsa. Rio de Janeiro: Encicl. Britânica, 1967, p. 65.
[2] Lippmann, Edmund von. História do açúcar. Rio de Janeiro: IAA, 1942, tomo II, p. 40.
[3] Apud Dufty, William. Sugar blues. Rio de Janeiro: Ground, 1978, p. 56.
[4] Freyre, Gilberto. Açúcar, Coleção canavieira nº 2. Rio de Janeiro: IAA, 1969, p. 17.
[5] Freyre, Gilberto. Op. cit. p. 27.
[6] Atkins, Robert. A Dieta Revolucionária do Dr. Atkins. Rio de Janeiro: Artenova, 1980, p. 61.
[7] O conceito de ditadura de pacote tecnológico foi assimilado de Bautista Vidal que fala do pacote do petróleo.
[8] Avancini, Elsa Gonçaves. Doce Inferno. São Paulo: Atual, 1991, p. 42.
[9] Zagury, Leão et alii. Diabetes sem Medo. Rio de Janeiro: Rocco,1985, p. 34.
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